sábado, 23 de outubro de 2010

Um pouco da história de PGLand.

Tropas, Campos e Ponta Grossa..

A denominação “Campos Gerais do Paraná” remete aos campos limpos e capões isolados de floresta ombrófila mista, onde aparece o pinheiro araucária. De acordo com essa definição, os Campos Gerais são limitados à área de ocorrência dessa vegetação. Segundo historiadores, ao tratar das origens do povoamento de Ponta Grossa, até os fins do século XVII os Campos Gerais se apresentavam despovoados e serviam exclusivamente como ponto de passagem para os viajantes curitibanos que se dirigiam a São Paulo.
Apesar de ser uma região de boas pastagens, não havia quem consumisse o gado ali criado. Mas a descoberta de ouro nas Minas de Ouro na capitania de São Paulo, hoje Minas Gerais, exigia bois para a alimentação, cavalos para montaria e mulas para o transporte de minérios. O marco oficial que dá início à ocupação dos Campos Gerais é o ano de 1704, com a inauguração da Sesmaria de Sant´Ana do Iapó, entregue ao paulista Pedro Taques de Almeida.
Estava iniciada a composição regional dos Campos Gerais. A partir da sesmaria de Sant´Ana do Iapó, as atividades relacionadas ao comércio e a invernagem de animais rapidamente espalharam-se por toda região, repartida administrativamente pelas demais sesmarias concedidas pela coroa portuguesa.Com a descoberta das grandes vacarias administradas pelos Padres Jesuítas e os índios missionários, que existiam não só no Rio Grande do Sul como também na Argentina e Paraguai, abriu-se um caminho que ficou conhecido como “Caminho do Viamão” que ligava a então Vila da Sorocaba (SP) até Viamão (RS). Em Sorocaba realizava-se a grande feira de gado e mulas que deveriam prestar serviços na região das Minas.
Com o desenvolvimento do caminho, conhecido também como “Caminho das Tropas”, começaram a surgir pontos de parada ou pouso de tropeiros que com o passar dos anos se transformaram em 16 municípios que formam hoje a Rota dos Tropeiros. A identidade histórica e cultural da região dos Campos Gerais, iniciada no século XVIII, se deve aos ricos pastos naturais, abundância de invernadas com boa água e relevo suave. Essa foi a rota do tropeirismo do sul do Brasil, com o deslocamento de tropas de mulas e gado de abate provenientes do Rio Grande do Sul com destino aos mercados de São Paulo e Minas Gerais. Nessa época, os campos naturais da região tornaram-se muito disputados e a coroa portuguesa começou a expedir cartas de sesmarias em favor de homens de prestígio político local.
Os caminhos abertos no início do século XVIII continuaram servindo como principais vias para o comércio e a integração entre o extremo sul e o restante do país. O ciclo do tropeirismo se estendeu até o início do século XX e compôs a região mais importante para o desenvolvimento paranaense. A partir da colonização do norte e do sudoeste, o estado entrou em um novo momento histórico e os Campos Gerais perderam espaço no contexto estadual.
A comida é uma das heranças deixadas pelo tropeirismo. Era feita pelos homens, na tropa não havia mulheres. Entre os utensílios de cozinha levavam um saco de mantimentos, um caldeirão de ferro com tampa, para o feijão; uma panela de ferro de três pés, um coador e sua armação; xícaras de folha de ferro batido ou canequinhas esmaltadas, colheres e cuia.
..O fogão do tropeiro era a trempe, uma armação de três varas, que podiam ser de ferro ou de pau verde, colhido na hora. Com esse fogão improvisado, raramente com fogareiro de ferro, ou com duas forquilhas armadas, era preparada a simples comida do tropeiro: virado de feijão, arroz com carne seca e café. Além da culinária, o ciclo do tropeirismo uniu os estados sulinos e teve grande importância no desenvolvimento econômico, povoamento e formação de uma identidade histórica regional evidente e característica.

Fecho, valeu!?
Aquele abraço..

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