quarta-feira, 7 de maio de 2014

O EREGEO-SUL NA UFPR

UFPR                                                                                          
A Universidade Federal do Paraná é uma das mais antigas universidade do Brasil, e é muito importante na dinâmica da cidade por desde os anos 1930 ser mais um núcleo que torna a cidade um pólo de atração populacional. Hoje ela conta com alguns campi em Curitiba e está presente no interior e também no litoral do estado. Nos últimos anos ocorreram muitas greves na UFPR, tendo a mais longa ocorrido no ano de 2012, com quase 5 meses de paralisação, o que demonstra que apesar da boa avaliação da estrutura da universidade diante de outras pelo Brasil, ainda há muitas questões que se apresentam como graves problemas para estudantes, docentes e servidores. A UFPR também se destaca por exercer fortemente a autonomia universitária divergindo de algumas diretrizes nacionais para este setor, o que têm suscitado várias discussões com o MEC.
GEOGRAFIA UFPR E O CENTRO ACADÊMICO DE GEOGRAFIA UFPR
O curso de Geografia na UFPR é um dos mais antigos do país, foi criado em 1938 e funcionava junto com o curso de História, tendo se desmembrado em 1961. Em 1973 transferiu-se para o Setor de Tecnologia no Centro Politécnico. Nessa época foi criado o Centro de Estudos de Geografia (Figura 3), nossa primeira entidade de representação estudantil, que recebera este nome devido à dificuldade de se haver movimentos políticos, principalmente estudantis, em um contexto de ditadura militar no Brasil. Após a volta da democracia no país, os movimentos estudantis passaram por algumas reestruturações e em 23 de setembro de 1987, em assembleia geral dos estudantes de Geografia, é criado o CAGEO – Centro Acadêmico de Geografia (Figura 4) da UFPR órgão de representação e atividade discente do curso de licenciatura e bacharelado em Geografia da Universidade Federal do Paraná. A partir de então, o CAGEO veio crescendo no cenário estudantil e universitário. Chegou a sediar a Executiva Nacional dos estudantes de Geografia na década de 90 e teve a participação em diversos eventos e atividades de interesse dos alunos do curso. Nos últimos anos passou por algumas mudanças significativas, como a troca da sede e a conquista de um novo espaço, a “casinha”, que segundo comentários foi construída experimentalmente pelo curso de Engenharia Civil como exemplo de casa popular.
Politicamente o CAGEO tem uma posição que varia consideravelmente de acordo com a gestão eleita, mas em geral sempre contando com membros mais ativos nas discussões do meio estudantil de luta em âmbito local e nacional. Ultimamente também muitos acontecimentos têm fomentado discussões políticas dentro do curso, já que em geral os estudantes tem posicionamentos bem marcados, e muitas vezes radicalmente opostos. Neste contexto, contradições estruturais da nossa sociedade como diversos tipos de opressões, machismo, disputas territoriais urbanas, rurais, econômicas e culturais, exploração laboral, autoritarismo, regimes de governo, hierarquia profissional têm colocado estudantes em debates ferrenhos com professores, e também entre os próprios. São questões que sempre estiveram presentes, mas vem aflorando como nunca pela rápida difusão das ideias pelas redes sociais, e claro, pela urgência da mobilização de um curso que sofre muito ainda com influencia de pensamentos autoritários, preconceituosos e nacionalistas, reflexo das varias heranças de um ideário que fetichiza espaço, território e nação e que buscamos combater.
É importante para este Centro Academico que o EREGEO venha justamente neste contexto, fomentar a discussão com ideias dos colegas de outras escolas, que tambem estejam interessados em construir uma geografia reflexiva e acima de tudo combativa.

LOCAL E ESTRUTURA
O estudante que efetuar sua inscrição VII EREGEO-SUL terá garantido, além dos espaços que compõem a programação do evento, o local para se alojar e alimentação (café da manhã, almoço e janta). Tendo em vista que a Comissão Organizadora do VII EREGEO-SUL conta com a participação de em torno de 300 inscritos, o espaço em que será realizado o evento é o Setor de Educação Profissional e Tecnológica da UFPR – SEPT (Figura 5). Este espaço não supre totalmente as necessidades para a realização do encontro, sendo necessária também a utilização do Restaurante Universitário do Campus Central, a Reitoria

O EREGEO-SUL EM CURITIBA

O EREGEO-SUL EM CURITIBA
Desde o segundo EREGEO em 2008, ocorrido em Florianópolis, os estudantes de Geografia da UFPR e particularmente o CAGEO estiveram presentes e atuantes nas ações da regional Sul. O Centro Acadêmico de Geografia da UFPR esteve presente em diversos conselhos e em todos os encontros ocorridos desde então (Porto Alegre/RS, Ponta Grossa/PR, Chapecó/SC e Santa Maria/RS), participando ativamente da construção destes espaços.
No ano de 2014, de acordo com a decisão da Plenária Final do VI EREGEO em Santa Maria/RS, o VII EREGEO–Sul acontecerá em Curitiba, capital do estado do Paraná. Com uma ampla delegação no evento de 2013, os estudantes da UFPR acordaram em construir a próxima edição do evento como escola sede, compreendendo que a conjuntura local seria favorável e poderia contribuir com o movimento estudantil da Geografia em escala regional.

A CIDADE DE CURITIBA
            A combinação de duas palavras da língua tupi: Ku’ri, que significa pinheiro, e tüba, que quer dizer muito, abundante, descreve a paisagem vegetativa do Primeiro Planalto paranaense, unidade geomorfológica na qual a cidade se localiza. Ela está a aproximadamente 75 Km do litoral, contando com fáceis acessos rodoviários, que atravessam o obstáculo geomorfológico da Serra do Mar Paranaense. A cidade tem influencia também do ambiente imediatamente associado da Serra do Mar e de sua Mata Atlântica, mas originalmente era em sua maior parte composta por campos. O clima também sofre bastante influencia serrana e litorânea, ao que se soma o fator da altitude, resultando no clima Cfb de Curitiba, com estações bem marcadas, e o verão considerado tradicionalmente como ameno, mas que nos últimos anos tem contrariado essa lógica. Durante o encontro a previsão é de as mínimas fiquem por volta dos 10ºC e a máxima por volta dos 17-20ºC, com pouca chuva.

Com uma população de 1.848.943 habitantes em 2010 (IBGE), constitui-se no município mais populoso da Região Sul. No entanto, dentro do contexto da dinâmica urbana da cidade não podem ser esquecidas as cidades da Região Metropolitana, cuja população é quase equivalente a de Curitiba, e mantêm em sua maioria estreitas relações, principalmente de trabalho, com a capital. Historicamente colonizada por negros, eslavos e europeus, Curitiba e sua evolução estrutural estão bastante associados a essa mistura cultural. O tropeirismo foi um dos fatores importantes na impulsão para que a antiga vila de Nossa Senhora da Luz se transformasse em núcleo urbano. As relações comerciais sempre tiveram grande importância para a cidade. Mais um aspecto que historicamente construiu a projeção de Curitiba foi o estabelecimento na cidade de grande parte da elite agrária latifundiária do estado, que aos poucos moldou a estrutura fundamental da cidade a seus gostos e padrões culturais, educacionais, etc. Tem grande relação com isso a centralização do poder político do Estado em Curitiba, que apesar de ser pontual concentra até hoje membros cujas famílias tem raízes históricas ligadas ao latifúndio. Ao longo do tempo, estes fatores evoluíram em direção à formulação de políticas para uma cultura de planejamento urbano bastante tecnificada, mas também bastante impositiva e acima de tudo excludente. Principalmente desde os anos 1990 este ideário reservou a uma pequena parcela da população espaços privilegiados, que extrapolados para todos o espaço urbano deram à cidade os títulos ilusórios de “cidade modelo”, “cidade verde”, “capital social”, “capital ambiental” entre outros. Isto será bastante significativo nas discussões do encontro.

terça-feira, 6 de maio de 2014

METODOLOGIA

De maneira sucinta, o espaço é o objeto de investigação da Geografia enquanto ciência. As várias dinâmicas sociais e naturais que estudamos têm ele como palco. O laboratório do Geógrafo, por tanto, é seu próprio objeto de estudo. É neste laboratório, no espaço, e a partir do encontro com os fenômenos que nele ocorrem, que o geógrafo embasa sua atuação, sua reflexão, e a produção de um conhecimento novo ou mais aprofundado. Assim, o trabalho de campo é reconhecido como instrumento metodológico fundamenta, como elo verdadeiro entre o geógrafo e aquilo que o cerca, e que nunca deveria estar perdido em meio ao academicismo abstrato.
Por isso, este é um dos eixos principais do EREGEO. É parte metodológica também a realização de um debate pós-campo, onde é amadurecido e consolidado o grande intercâmbio de conhecimentos entre a escola sede e as escolas visitantes acerca das dinâmicas locais que também estão inseridas no contexto das dinâmicas da região – em especial da região sul - como um todo.
Outro instrumento do EREGEO são as oficinas, que assim como o campo proporcionam ao estudante experiências práticas em geral associadas a trabalhos manuais, sempre acompanhados de um debate reflexivo sobre a representatividade desta tarefa na sociedade, e consequentemente no espaço.
O cerne estrutural do evento que norteia estas atividades é pensado a partir de uma perspectiva auto-gestionária. Isso implica que a organização, produção, manutenção e limpeza dos espaços estão sob responsabilidade dos próprios estudantes, que desta maneira também exercitam capacidades de organização e cooperação que nem sempre são contempladas em um cotidiano acadêmico por vezes produtivista e individualista.
É a partir desta metodologia que o EREGEO promete enriquecer a vivência do estudante de geografia para dentro e para fora da Universidade.